Vivesse com Esquivanças
2019
Instalação com Marina Woisky

Vivesse também com esquivanças é uma instalação de Andre Barion e Marina Woisky, em que trabalhos de Marina são duplicados em tecido preto por Andre, recriando-os como sombras. Os objetos de Marina são sólidos, de gesso, enquanto suas sombras são macias, de fibra sintética.
A sombra além de ser um duplo, é a projeção de um objeto com a ausência de sua imagem, que se configura como a sugestão de forma. De alguma maneira a materialidade do duplicado se mantém, sua silhueta se faz presente e demarca espaços em que a luz não chega. Em Vivesse Também como Esquiva- nças as sombras são corpóreas por serem tridimensionais, criando corpo ao que quase não é corpo, pois os trabalhos de Marina se aproximam muito mais de cascas do que de corpos, já que perambulam entre o universo da imagem bidimensional e a materialidade do gesso.
Essa ausência de imagem, faz o observador ter uma nova experiência com a imagem, pois passa a olhá-la pela percepção da forma. Aqui entra a questão da autoria, pois neste trabalho, as obras de Marina acabaram por fazer parte dos de Andre, a sombra só existe como projeção da realidade, sem as esculturas, elas não têm sentido.
Os trabalhos de Marina são objetos em que imagens apropriadas de relevos e esculturas antigas são desmembradas e impressas em tecido que é costurado em matelassê e preenchido com gesso. Então, ao longo do processo há algumas idas e vindas entre a bi e a tridimensionalidade: a imagem vem de uma escultura e se transforma em objeto novamente, mas por esse novo volume ser pouco corpóreo acaba por se aproximar da bidimensionalidade, mantendo o aspecto inicial da imagem. Entre eles estão Dobrinhas, dupla de objetos que são diferentes visões de um mesmo fragmento de escultura; Porco Cachorro, onde há uma sobreposição de imagens impressas no mesmo material, mas com formas diferentes, como uma metalinguagem; Caça em que os animais saem da parede e se transformam em totens espaciais.
Já seus duplos são objetos de tecido preto que tem o enchimento em fibra sintética, por isso, são macios e mais volumosos. Aqui, as imagens deixam de existir, mas preservam a forma e os desenhos feitos pelas linhas de costura. Os tecidos são diferentes entre si, o que faz pensar sobre como as sombras são diferentes, pois sua textura depende do lugar onde ela se delineia.
Para que a relação entre os objetos e suas sobras ficasse evidente, as peças são colocadas umas de frente para as outras, explicitando essa divisão. Tudo que se tem de um lado é replicado em forma de sombra do outro.





